Veja oito dicas para comprar a casa própria (2022)

Especialistas explicam que é preciso avaliar muitos pontos, entre eles pesquisar os juros cobrados pelas instituições financeiras

Veja oito dicas para comprar a casa própria (1)

A casa própria é o sonho de muitos brasileiros: uma pesquisa daCâmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)mostra que mais de 40% da população estava pensando em comprar uma casa ou apartamento. No entanto, é preciso tomar alguns cuidados para o sonho não virar um pesadelo. Isso porque o caminho para adquirir o imóvel não é tão simples caso não possa comprar à vista. Especialistas explicam que é preciso avaliar muitos pontos, entre eles pesquisar os juros cobrados pelas instituições financeiras – que variam de 2,9% a quase 10% –, fazer um raio-x da própria situação financeira para poder definir até quanto poderá arcar com o pagamento de parcelas.

Uma dica para quem não tem casa própria: se o valor da prestação mensal for igual ao gasto com o aluguel, o ideal é entrar no financiamento e pagar o próprio bem. Há quem tenha ainda a opção decomprar um imóvel na planta, neste caso é preciso seguir algumas orientações.

— Hoje a alternativa que mais vem conquistando os brasileiros para aquisição de imóveis é o financiamento, que é uma opção de compra interessante, mas faço um adendo: ao comprar uma casa financiada, é preciso ter ciência de que se firmará umcompromisso mensal— explica Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira.

— A orientação que sempre dou para poupar é fazer umaestimativa dos gastos totais, avaliar quanto falta para atingir o montante e diagnosticar quanto pode ser guardado por mês para dar conta das despesas — ensina.

Domingos pontua que é importante saber queexistem os jurosque, somados ao longo do contrato, podem significar o pagamento de até duas ou três casas.

— Se o valor do aluguel for igual ao da parcela do financiamento, ótima iniciativa é deixar de pagar esse valor sem retorno futuro para pagar a prestação de algo que será seu — conta Domingos.

De acordo com ele, uma alternativa para quem não tem urgência em mudar e tem disponibilidade de uma verba de investimento mensal é oconsórcio. Neste caso, se pagará menos e, se tiver sorte, poderá ser sorteado e ganhar a casa rapidamente, além de também poder economizar para dar um lance.

— Grande problema enfrentado para a realização do sonho de uma casa própria são as dívidas sem valor, aquelas contraídas nas compras de produtos e serviços que muitas vezes não agregam valor. Elas acabam desequilibrando o orçamento financeiro mensal e com isso o consumidor perde o foco no bem de valor, que é a casa — acrescenta.

Oito passos para adquirir o imóvel

• Reúna a família e converse sobre este tema, definindo o lugar, valor e as reais condições que se encontram.

• Ponto a ser levando em conta é o custo de vida da região em que irá mudar, que pode ser mais alto que o atual. Também considere os gastos com transporte.

• Analise o valor do aluguel que está pagando e se for o mesmo valor da prestação de um financiamento, poderá ser uma opção financiar o imóvel.

• O melhor caminho é poupar parte do que ganha, portanto faça uma simulação em qualquer banco de quanto custaria a prestação deste imóvel e comece a guardar em um investimento conservador como poupança, CDB ou Tesouro Direto.

• Lembre-se que o financiamento de um imóvel é considerado uma dívida de valor, por isso deve ser protegida e garantida, uma prioridade frente as demais despesas mensais.

• Tenha sempre uma reserva estratégica, para que em uma eventualidade não deixe de honrar este importante compromisso.

• Caso não esteja conseguindo pagar a prestação da casa própria é preciso rever imediatamente os gastos, em especial as pequenas despesas, que somadas podem levar uma família ao desequilíbrio financeiro.

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• Nunca se esqueça que um novo imóvel demanda novos custos, como mobiliário novo, condomínio, taxas de transferência, etc.

Cuidados com a compra na planta

Os consumidores que tiverem umdinheiro extrae pensam em comprar um imóvel ainda na planta podem obter algumas vantagens. Mas, pelo fato de a obra ainda não estar finalizada, é importante adotaralguns cuidados antesde decidir pela compra.

— Aapresentação do projetoé o ponto inicial, é o momento em que o comprador vai ter o primeiro contato com o seu sonho. Por isso, ele precisa analisar todos os pontos mostrados pela construtora para garantir que aquela é a melhor opção para ele — comenta Caio Lotti, gerente executivo comercial da Bild e Vitta.

De acordo com o executivo, o consumidor precisa estudar o projeto apresentado pela construtora e entender, por exemplo, quais serão osmateriais utilizadosao longo da obra, pois este é o momento de conhecer ocronograma para a entregado imóvel, perspectivas de espaço e tirar dúvidas. Isso acontece, pois, nesta fase, não é possível visitar, ver ou tocar as instalações do futuro lar. Todo o contato acontecerá por meio de fotos, vídeos e demais materiais de divulgação fornecidos pela empresa responsável pelo empreendimento no plantão de vendas.

Outro ponto a ser analisado é ocusto-benefício. Segundo Lotti, devem ser observados os seguintes fatores: localização, tamanho da casa ou apartamento, prazo de entrega da obra e qualidade de acabamento.

— Fazer essa análise pode variar de um imóvel para o outro, mas é importante considerar o potencial de valorização e a destinação futura que o comprador vai dar para a residência, ou seja, se será utilizado para locação ou o lar da família — diz.

Oprazo de entregada obra, diz Lotti, é um requisito que precisa ser analisado antes do fechamento do negócio, lembrando que devido a fatores externos o período pode ser prolongado.

— Aescolha da construtoraé um fator de extrema relevância, pois a empresa responsável tem relação direta com a segurança e a garantia de recebimento do empreendimento. Por isso, é importante que o interessado faça uma busca por informações legais da construtora,verifique imóveis entregues, converse com outros compradores e avalie a reputação da empresa frente ao mercado — orienta Lotti.

O executivo alerta:

— Aleitura do contratodeve acontecer de forma minuciosa. O comprador precisa ler atentamente todas as cláusulas e, em caso de dúvidas, procurar o responsável da empresa para saná-las. Pois, o documento de compra e venda oficializa a negociação entre a pessoa e a construtora, após a assinatura torna-se obrigatório o cumprimento dos requisitos e obrigações — finaliza.

Atenção aos juros

Quem quiser entrar em financiamento deve estar atento aosjuros cobradospelas instituições financeiras. Isso porque o aumento da taxa básica de juros (Selic), que passou de 9,25% para 10,75% ao ano, pode impactar as taxas. A cada variação de 2,5% na Selic há o aumento de 1 ponto percentual noCusto Efetivo Total(CET) no financiamento do imóvel, explica Alberto Ajzental, coordenador do curso de desenvolvimento de negócios imobiliários, da Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com ele, o valor representa o total pago em parcelas, o que inclui juros, taxas, encargos, tributos e seguros.

Adquirir o imóvel fica mais difícil com a Selic em alta porque ela afeta consideravelmente o valor da parcela. Ajzental calcula que quando a taxa estava em 2%, o valor da primeira prestação de um imóvel deR$ 250 milfinanciado em 20 anos era deR$ 2.191, totalizando R$ 363.033 ao fim do contrato. Mas com a Selic em 10,75%, o mesmo imóvel tem como primeira parcela o valor deR$ 2.725, uma diferença de R$ 534. Com isso, o valor total do bem passará para R$ 427.047, ou seja, R$ 64.014 a mais.

O EXTRA consultou os cinco maiores bancos do país e listou as taxas de juros cobradas em financiamento imobiliário. Em todos eles é importante frisar que o financiamento se limita a 80% do valor do imóvel e, dependendo do relacionamento do cliente com o banco, os juros podem variar.

Taxas

A Caixa Econômica, por exemplo, oferece mais modalidades de financiamento imobiliário. Na linha TR a Caixa oferece juros mínimos de 8% ao ano mais a taxa referencial e juros máximos de 8,99% ao ano. Já a linha IPCA tem juros mínimos de 3,95% ao ano mais inflação e juros máximos de 4,95% (a.a.) mais a inflação. Confira na linha Poupança: juros mínimos de 2,95% ao ano mais o rendimento da poupança e juros máximos de 3,79% (a.a.).

Já o Banco do Brasil oferta a linha TR com juros a partir de 7,99% ao ano mais a TR. No Bradesco a linha Poupança está com juros a 2,99% ao ano mais a remuneração da poupança. No Itaú os juros na linha TR estão a 9,10% (a.a.) + taxa referencial. Na linha poupança os juros são 2,99% mais o rendimento da poupança. O Santander cobra juros a partir de 9,99% + TR.

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      Author: Eusebia Nader

      Last Updated: 10/27/2022

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